6
de
junho
A inexpressão do habitual
Apago mais uma merda de cigarro que já nem sinto o gosto depois daquele fumo de palha que comprei junto com um cachimbo vagabundo que fodeu minha garganta me deixando com aquela característica voz de velho de boteco de bigodes queimados e um fedor de casa de vó que fuma palheiro na soleira da porta recheando a casa de fumaça e enxarcando cortinas pesadas onde o sol passsa apartado começando a aquecer o quarto pela manhã quase do mesmo modo como assisto dia após dia sentido de expressão impotente a fumaça subir e grudar em cada peça de roupa e móvel que encontrar pela frente nesta casa suja onde sigo fodido mas feliz e acendo outra merda de cigarro que já nem sinto o gosto.
Curitiba, 17 de maio de 2007

