6
de
junho
Confessionário
Andei, sala, cozinha, banheiro, abri, fechei, procurei, me escondi. No canto extremo do quarto, debaixo da janela, com uma esferográfica de ponta quebrada e mastigada e um caderno brochura onde encontrei algumas folhas limpas comecei: "Andei, sala, cozinha, banheiro, abri, fechei, procurei, me escondi."
Me forço a acreditar nesses cadernos um confessionário onde eu me conte a verdade, como um bilhete de despedida que serve como prova material da ida dolorosa. Mesmo cansado desse caráter pessoal impresso propositalmente em tudo que sai dessas fugas para escrever, talvez pelo simples fato de não ter uma boa história pra contar.
Leio todas elas, e todas já foram descritas esmiuçadamente de todas as formas que a minha língua pátria, qual mal conheço, e todas as outras puderam escrever. Mas ainda acredito que não há boa história a se contar sem amor pelo que se enfia no papel. Talvez o motivo das fugas para se "confessar".


Comentário por Ná Leão — 13 de junho de 2007 (1:47)
Poxa, rapaz. Eu meio que sinto igual…
Tbm tenho meu confessionário e me forço a confessar os pensamentos que não confessaria a mais ninguém… Eu escrevo como se fosse pro “éter”, pro cosmos ler… e ao mesmo tempo: pra ninguém…
Gostei mesmo do teu jeito de transformar os teus pensamentos em palavras e colocar no papel conforme te veio à cabeça…