10
de
junho
Revérbero
Mantenho um diálogo, indiferente ele me observa, não me parece o sinônimo de plenitude de ser, guarda tristeza nas linhas do corpo, suas expressões frente a minha imagem mostram-me que ele provavelmente vê o mesmo, me movimento, mantenho o mudo diálogo, ele debilmente tenta copiar, vejo que seus trejeitos aparentam uma perda do valor do tempo, ele esboça um sorriso, imediatamente sorrio também, creio que é para parecer menos descuidado, sim, descuidado é o que involuntariamente a imagem em minha frente me comunica, um descuido por conta de si mesmo, uma perda, como se deixado no tempo, esquecido do lado de fora por anos a fio pela criança que se foi e perdeu o interesse pelo brinquedo que já não lhe oferecia alegria. O diálogo do início agora já deixou de ser mantido, como que no vácuo, qualquer esboço de ação se perde sem som, ergo o rosto e notoriamente vejo que ele chora, um choro seco e abafado, desviando a atenção percebo que tenho o rosto percorrido por gotículas que saem abundantemente de meus olhos, deixando um caminho brilhante, como rastro de lesmas, choro também. Já incomodado das tantas pífias tentativas de decifrá-lo, livro-me da inércia que me prega ao chão sujo de tacos de madeira, dou as costas para o espelho e vou lavar o rosto.
Curitiba, 10 de junho de 2007.


Comentário por efe — 11 de junho de 2007 (16:49)
muito foda.. o melhor de todos!!!
Comentário por Ná Leão — 13 de junho de 2007 (1:32)
Forte e profundo…
vc é bom nisso…
Comentário por deusqueramor — 13 de junho de 2007 (15:33)
li isso em algum lugar…
bem escrito, mas não inventivo; mesmo porque nem poderia sê-lo. afinal, todos olham para o espelho vez ou outra.
o que difere, em verdade, é o que se vê.
Comentário por fer — 20 de junho de 2007 (23:43)
ameeei
haha
falei que ia ler.
muito bom esse.
gosto mais que o antigo que tá no fotolog hj.
tá são bem diferentes
mas gosto mais desse.
Comentário por san — 25 de junho de 2007 (15:12)
aloooco, paguei um pau, sério mesmo.