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	<title>asco e nauseante</title>
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	<pubDate>Mon, 25 Jun 2007 01:08:50 +0000</pubDate>
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		<title>A respeito do dia</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jun 2007 01:08:50 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[&#160;&#160; Nesses dias eu sento no beiral da janela que d&#225; pra sacada, e a cidade me canta mais fria e cinza. J&#225; faz uma semana desde que ela se foi, e eu, eu fiquei, agarrado ao violoncelo, desesperadamente dando arcadas no escuro, entregando todo meu amor, que agora &#233; s&#243; dele, na forma de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">&nbsp;&nbsp; Nesses dias eu sento no beiral da janela que d&aacute; pra sacada, e a cidade me canta mais fria e cinza. J&aacute; faz uma semana desde que ela se foi, e eu, eu fiquei, agarrado ao violoncelo, desesperadamente dando arcadas no escuro, entregando todo meu amor, que agora &eacute; s&oacute; dele, na forma de um som esgani&ccedil;ado. <br />&nbsp;&nbsp; J&aacute; faz uma semana que ela se foi, mas sobre mim sobrecarrega-se uma nuvem de meses de ang&uacute;stia, pesada e negra nebulosa que me encharca sem nunca ter chovido. <br />&nbsp;&nbsp; Sentado na sacada misturo-me ao dia cinza e frio que agora come&ccedil;a a tomar a cor amarelada das l&acirc;mpadas dos carros e postes. Carros cujo som intermitente de seus motores e buzinas me fazem distra&iacute;do e alheio ao disco do segundo concerto para piano de Rachmaninoff que coloquei sem inten&ccedil;&atilde;o alguma pouco antes de aqui estar. Distra&ccedil;&atilde;o de um emaranhado de sons e lembran&ccedil;as como um semi-transe que me levaram a deixar a caneta cair l&aacute; embaixo, na cal&ccedil;ada agora j&aacute; colorida do amarelo da noite urbana. <br />&nbsp;&nbsp; Com uma caneta de outra cor presto-me a terminar, como tudo, de maneira r&aacute;pida e confusa para depois esquecer, dela que se foi, da caneta que certamente n&atilde;o estar&aacute; mais l&aacute; e do fim, agora que fecho a janela e esque&ccedil;o a nuvem cinza perdida ao cinza l&aacute; de fora. </p>
<p>Curitiba, 24 de junho de 2007</p>
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		<title>Revérbero</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Jun 2007 17:49:24 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[&#160;&#160; Mantenho um di&#225;logo, indiferente ele me observa, n&#227;o me parece o sin&#244;nimo de plenitude de ser, guarda tristeza nas linhas do corpo, suas express&#245;es frente a minha imagem mostram-me que ele provavelmente v&#234; o mesmo, me movimento, mantenho o mudo di&#225;logo, ele debilmente tenta copiar, vejo que seus trejeitos aparentam uma perda do valor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">&nbsp;&nbsp; Mantenho um di&aacute;logo, indiferente ele me observa, n&atilde;o me parece o sin&ocirc;nimo de plenitude de ser, guarda tristeza nas linhas do corpo, suas express&otilde;es frente a minha imagem mostram-me que ele provavelmente v&ecirc; o mesmo, me movimento, mantenho o mudo di&aacute;logo, ele debilmente tenta copiar, vejo que seus trejeitos aparentam uma perda do valor do tempo, ele esbo&ccedil;a um sorriso, imediatamente sorrio tamb&eacute;m, creio que &eacute; para parecer menos descuidado, sim, descuidado &eacute; o que involuntariamente a imagem em minha frente me comunica, um descuido por conta de si mesmo, uma perda, como se deixado no tempo, esquecido do lado de fora por anos a fio pela crian&ccedil;a que se foi e perdeu o interesse pelo brinquedo que j&aacute; n&atilde;o lhe oferecia alegria. O di&aacute;logo do in&iacute;cio agora j&aacute; deixou de ser mantido, como que no v&aacute;cuo, qualquer esbo&ccedil;o de a&ccedil;&atilde;o se perde sem som, ergo o rosto e notoriamente vejo que ele chora, um choro seco e abafado, desviando a aten&ccedil;&atilde;o percebo que tenho o rosto percorrido por got&iacute;culas que saem abundantemente de meus olhos, deixando um caminho brilhante, como rastro de lesmas, choro tamb&eacute;m. J&aacute; incomodado das tantas p&iacute;fias tentativas de decifr&aacute;-lo, livro-me da in&eacute;rcia que me prega ao ch&atilde;o sujo de tacos de madeira, dou as costas para o espelho e vou lavar o rosto.</p>
<p align="justify">Curitiba, 10 de junho de 2007.</p>
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		<title>Irrefutabilidade</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Jun 2007 14:01:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mark_vogue</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[&#160;&#160; Ele n&#227;o tinha mais que rugas e um bigode amarelado, mas n&#227;o era exatamente velho. O que o fazia velho era a saudade dos filhos que se soltaram cedo no mundo, depois que a m&#227;e morreu e acharam que ele havia ficado louco. Justo ele, que era cr&#233;dulo da loucura vir da falta do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp; Ele n&atilde;o tinha mais que rugas e um bigode amarelado, mas n&atilde;o era exatamente velho. O que o fazia velho era a saudade dos filhos que se soltaram cedo no mundo, depois que a m&atilde;e morreu e acharam que ele havia ficado louco. Justo ele, que era cr&eacute;dulo da loucura vir da falta do amor, da falta de algu&eacute;m. <br />&nbsp;&nbsp; As teclas do piano batiam grossas e fortes na sua tristeza, grudadas como poeira &uacute;mida ao som seco de chuva em dia frio, produzido pelos velhos disco de Chopin, os mesmo que ela ouvia de semblante impass&iacute;vel, reconhecidas por ele desde o dia em que os dois se tornaram um ao som do piano. Os mesmos de notas marteladas em lembran&ccedil;as alegres e dolorosas. <br />&nbsp;&nbsp; Ela n&atilde;o tinha mais que longos cabelos ondulados e cheirosos, rosto rubro e amor, como o do piano. O mesmo que o encantara da primeira vez e o fizera marcado pela vida. <br />&nbsp;&nbsp; De entendimento de homem simples, sentia-se envergonhado pela disparidade, a via em toda pompa de mo&ccedil;a criada a banho de cheiro e erudi&ccedil;&atilde;o passada de fam&iacute;lia. <br />&nbsp;&nbsp; A mo&ccedil;a, de fam&iacute;lia importante, sentia-se intimidada pela simplicidade daquele homem que pouco depois a faria de felicidade e rosto rubro de amor latente eternos. <br />&nbsp;&nbsp; Morreu no leito onde, junto com o homem simples de tra&ccedil;os t&iacute;midos, concebeu tr&ecirc;s crian&ccedil;as ao som daquele mesmo disco que agora ele terminava de ouvir com o rosto inchado e lavado de l&aacute;grimas doces de recorda&ccedil;&atilde;o de seu amor de piano.</p>
<p align="justify">Curitiba, 5 de junho de 2007</p>
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		<title>A inexpressão do habitual</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Jun 2007 13:56:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mark_vogue</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[
Apago mais uma merda de cigarro que j&#225; nem sinto o gosto depois daquele fumo de palha que comprei junto com um cachimbo vagabundo que fodeu minha garganta me deixando com aquela caracter&#237;stica voz de velho de boteco de bigodes queimados e um fedor de casa de v&#243; que fuma palheiro na soleira da porta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">
<p>Apago mais uma merda de cigarro que j&aacute; nem sinto o gosto depois daquele fumo de palha que comprei junto com um cachimbo vagabundo que fodeu minha garganta me deixando com aquela caracter&iacute;stica voz de velho de boteco de bigodes queimados e um fedor de casa de v&oacute; que fuma palheiro na soleira da porta recheando a casa de fuma&ccedil;a e enxarcando cortinas pesadas onde o sol passsa apartado come&ccedil;ando a aquecer o quarto pela manh&atilde; quase do mesmo modo como assisto dia ap&oacute;s dia sentido de express&atilde;o impotente a fuma&ccedil;a subir e grudar em cada pe&ccedil;a de roupa e m&oacute;vel que encontrar pela frente nesta casa suja onde sigo fodido mas feliz e acendo outra merda de cigarro que j&aacute; nem sinto o gosto. </p>
<p>Curitiba, 17 de maio de 2007</p>
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		<title>Confessionário</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Jun 2007 13:53:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mark_vogue</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[&#160;&#160;&#160;Andei, sala, cozinha, banheiro, abri, fechei, procurei, me escondi. No canto extremo do quarto, debaixo da janela, com uma esferogr&#225;fica de ponta quebrada e mastigada e um caderno brochura onde encontrei algumas folhas limpas comecei: &#34;Andei, sala, cozinha, banheiro, abri, fechei, procurei, me escondi.&#34; 
&#160;&#160; Me for&#231;o a acreditar nesses cadernos um confession&#225;rio onde eu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">&nbsp;&nbsp;&nbsp;Andei, sala, cozinha, banheiro, abri, fechei, procurei, me escondi. No canto extremo do quarto, debaixo da janela, com uma esferogr&aacute;fica de ponta quebrada e mastigada e um caderno brochura onde encontrei algumas folhas limpas comecei: &quot;Andei, sala, cozinha, banheiro, abri, fechei, procurei, me escondi.&quot; </p>
<p align="justify">&nbsp;&nbsp; Me for&ccedil;o a acreditar nesses cadernos um confession&aacute;rio onde eu me conte a verdade, como um bilhete de despedida que serve como prova material da ida dolorosa. Mesmo cansado desse car&aacute;ter pessoal impresso propositalmente em tudo que sai dessas fugas para escrever, talvez pelo simples fato de n&atilde;o ter uma boa hist&oacute;ria pra contar. </p>
<p align="justify">&nbsp;&nbsp; Leio todas elas, e todas j&aacute; foram descritas esmiu&ccedil;adamente de todas as formas que a minha l&iacute;ngua p&aacute;tria, qual mal conhe&ccedil;o, e todas as outras puderam escrever. Mas ainda acredito que n&atilde;o h&aacute; boa hist&oacute;ria a se contar sem amor pelo que se enfia no papel. Talvez o motivo das fugas para se &quot;confessar&quot;.</p>
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		<title>Obrigado!</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Dec 2006 16:00:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mark_vogue</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[&#34;Protesto de Velho&#34; foi um dos contos vencedores do 1&#186; Concurso de Contos Ler &#38; Cia.
Meu sincero Muito Obrigado a todos que frequentam o blog, e aos que apreciam os contos e cr&#244;nicas!
&#160;
  
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&quot;Protesto de Velho&quot; foi um dos contos vencedores do 1&ordm; Concurso de Contos Ler &amp; Cia.</p>
<p>Meu sincero Muito Obrigado a todos que frequentam o blog, e aos que apreciam os contos e cr&ocirc;nicas!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p> <img src='http://ascoenauseante.blog.terra.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /> </p>
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		<title>Ontem e ano retrasado</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Dec 2006 16:48:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mark_vogue</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Acordo, sento na beirada, est&#225; escuro, cheira a mofo, estou fedendo, cerveja, l&#225;grima, suor, cigarro, cinco minutos, acendo a luz, amarela, 40W, descal&#231;o, sujo, triste, mais velho e maquiado de falta de expectativas para que voc&#234; que me olha morra de pena e chore em meu ombro para que eu chore no seu podendo assim [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acordo, sento na beirada, est&aacute; escuro, cheira a mofo, estou fedendo, cerveja, l&aacute;grima, suor, cigarro, cinco minutos, acendo a luz, amarela, 40W, descal&ccedil;o, sujo, triste, mais velho e maquiado de falta de expectativas para que voc&ecirc; que me olha morra de pena e chore em meu ombro para que eu chore no seu podendo assim manter algum v&iacute;nculo at&eacute; eu me despedir dizendo que preciso ir para casa depois de cinco dias na rua sem sequer comer algo que preste ou tomar banho para me livrar desse cheiro ou dessas suas falsas l&aacute;grimas que voc&ecirc; jorrou para manter algum v&iacute;nculo para depois se despedir e n&atilde;o voltar.<br />O centro, um bar sujo, um dono chin&ecirc;s, alguns amigos, carteiras de cigarro amassadas no bolso traseiro, vodka barata, algumas vagabundas, sair do bar, ir pra algum canto, luz de merc&uacute;rio, mendigos em caixas de papel&atilde;o, andar fatigado, chegar, amortecer a cabe&ccedil;a, escape barato.<br />Acordo, sento na beirada, est&aacute; escuro, cheira a mofo, andar leso de escape barato, banheiro sujo, l&acirc;mpada falhando, choro e lembro do antigo amor que ainda sustento ap&oacute;s anos mas ainda assim me faz completo e morno da forma como fazia quando ainda nos abra&ccedil;&aacute;vamos e troc&aacute;vamos juras e eu ainda n&atilde;o tinha essa cara repleta de vincos que as noites de bares e vodka barata e cabe&ccedil;a amortecida trouxeram depois desses v&aacute;rios anos que tento fugir do amor antigo que ainda sustento abaixo de tudo isso para que n&atilde;o tenha que engolir l&aacute;grimas pra dentro do meu peito morno que ainda est&aacute; repleto de voc&ecirc;.</p>
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		<title>Protesto de velho</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Apr 2006 18:26:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mark_vogue</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Cresci e agora tenho p&#234;los nas falanges dos dedos. H&#225;lito de ontem, inseguran&#231;a, feridas na pele escura cheia de manchas do rosto, barba mal-feita, olhar cansado, roupas amarrotadas, velhas, rasgadas, gastas. Escrevo com tantas v&#237;rgulas e me perco&#160;para depois algu&#233;m ler e criticar a falta de did&#225;tica de meu texto. Escrevo com muitas v&#237;rgulas depois [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" align="left"><font face="Times New Roman" size="3">Cresci e agora tenho p&ecirc;los nas falanges dos dedos. H&aacute;lito de ontem, inseguran&ccedil;a, feridas na pele escura cheia de manchas do rosto, barba mal-feita, olhar cansado, roupas amarrotadas, velhas, rasgadas, gastas. Escrevo com tantas v&iacute;rgulas e me perco&nbsp;para depois algu&eacute;m ler e criticar a falta de did&aacute;tica de meu texto. Escrevo com muitas v&iacute;rgulas depois de semanas sem sequer ter algo entre todos estes sinais.</font></p>
<p class="MsoNormal"><font face="Times New Roman" size="3">Tenho caminhado pela cidade sem muita desculpa ou motivo, ou cansa&ccedil;o muscular, com um buraco na sola do t&ecirc;nis do p&eacute; esquerdo por onde entra &aacute;gua todos os dias e encarde minha meia de muitos anos, tentando achar &acirc;nimo para comprar meias com el&aacute;sticos ou forma de ganhar dinheiro e comprar sapatos. Pegando &ocirc;nibus. Tentando tirar coisa que preste dessa cabe&ccedil;a para encher algumas linhas, falta sinceridade, papel e m&atilde;o para escrever.</font></p>
<p class="MsoNormal"><font face="Times New Roman" size="3">Pegando &ocirc;nibus. Ontem, o senhor com forte bafo de cacha&ccedil;a, no &ocirc;nibus cheio me perguntou se eu tinha pai &ndash; Sim, tenho &ndash; j&aacute; esperando alguma longa conversa idosa e lembran&ccedil;as de juventude &ndash; Ent&atilde;o vai ro&ccedil;ar essa perna nele, entendeu? Sou velho mas tenho muita hombridade, trabalhei a vida inteira, vai ro&ccedil;ar essa perna naquele veado, entendeu? &ndash; calei, mas sentia que ele ainda me olhava, ele come&ccedil;ou outro di&aacute;logo qualquer com o cobrador e me perdi na tristeza da aspira&ccedil;&atilde;o e no medo de ter setenta anos e ver os p&ecirc;los das falanges dos meus dedos brancos e ter de engolir cacha&ccedil;a pura pra manter amortecida a cabe&ccedil;a velha e n&atilde;o lembrar que n&atilde;o houve a vida que eu esperava ter, a vida que eu via todos terem, que esperavam que eu tivesse. N&atilde;o ter de amargar a falta de lugares no &ocirc;nibus, e sentir que &eacute; o &uacute;nico contento de algu&eacute;m que j&aacute; viveu setenta anos espera.</font></p>
<p class="MsoNormal"><font face="Times New Roman" size="3">Escrevo com muitas v&iacute;rgulas mal postas textos ruins de car&aacute;ter l&uacute;gubre fingido e vadio. Da morte inexistente do covarde. E observo contidamente desesperado a apar&ecirc;ncia em&eacute;tica de minha mesa imunda, e j&aacute; com n&aacute;usea o cheiro do resto frio do caf&eacute; no copo de requeij&atilde;o.</font></p>
<p class="MsoNormal"><font face="Times New Roman" size="3">Levanto para ir ao banheiro enfiar a cara na pia e acordar e limpar remelas de dias sem sono e tentativas de escrever, frustra&ccedil;&atilde;o e p&eacute;ssimos resultados. Olho o espelho, o rosto molhado, a &aacute;gua que n&atilde;o fixa na pele oleosa, e os vincos nos cantos da boca que d&atilde;o esse semblante taciturno mesmo na felicidade. Acho que vou me frustar at&eacute; o dia em que aprender a fechar cr&ocirc;nicas vagabundas sem ter de alongar com banalidades desse cotidiano mecanizado e vazio.</font></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Cura do milagreiro</title>
		<link>http://ascoenauseante.blog.terra.com.br/2006/03/23/cura-do-milagreiro/</link>
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		<pubDate>Thu, 23 Mar 2006 19:36:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mark_vogue</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[N&#227;o conseguia entender porque Chico era forte daquele jeito. Forte por dentro, n&#227;o tinha fur&#250;nculo nem gripe, porque por fora era couro e osso. Ele me olhava e ria &#8211; Gente da cidade quando anda descal&#231;o e pega sereno &#233; igual chopim-vira-bosta quando a gente enfia na gaiola, d&#225; linha&#231;a, ele tonteia, morre -&#160; e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><font face="Times New Roman" size="3">N&atilde;o conseguia entender porque Chico era forte daquele jeito. Forte por dentro, n&atilde;o tinha fur&uacute;nculo nem gripe, porque por fora era couro e osso. Ele me olhava e ria &ndash; Gente da cidade quando anda descal&ccedil;o e pega sereno &eacute; igual chopim-vira-bosta quando a gente enfia na gaiola, d&aacute; linha&ccedil;a, ele tonteia, morre -<span>&nbsp; </span>e ria mostrando os tr&ecirc;s dentes da frente que lhe sobravam na boca larga equilibrada no queixo fino.</font>&nbsp;&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal"><font face="Times New Roman" size="3">Eu era pequeno e ouvia a v&oacute; dizer que gente que come terra tem sangue grosso e escuro, dif&iacute;cil era a tuberculose pegar. Queria perguntar pro Chico se terra tinha gosto bom, mas podia ser mentira da v&oacute;. E ele ria, e levantava da cadeira de palha, e saracoteava com o r&aacute;dio.</font></p>
<p class="MsoNormal"><font face="Times New Roman" size="3">Come&ccedil;o de inverno, o ventinho entrava por entre os bot&otilde;es da camisa e eu j&aacute; sucumbia &agrave; cama. Era xarope, pastilha, mel-de-abelha-real, tr&ecirc;s dias de atestado. E lembrava das conversas que escutava na casa do Chico &ndash; Toma caldo de sopa de palma atr&aacute;s da porta que sara at&eacute; solu&ccedil;o &ndash; Se fosse dono de f&aacute;brica de rem&eacute;dio eu contrataria algu&eacute;m s&oacute; pra ouvir as conversas naquela casa.</font></p>
<p class="MsoNormal"><font face="Times New Roman" size="3">Me ligaram ontem, eu estava tomando banho, fazendo a barba. Alegria &eacute; morar sozinho e ter um r&aacute;dio de pilha pra p&ocirc;r no banheiro.</font></p>
<p class="MsoNormal"><font face="Times New Roman" size="3">- Al&ocirc;, Valmir? Aqui &eacute; o Saulo, primo do Chico. Escuta, tem que vir pra c&aacute;, tu vai morrer de tristeza. &Eacute;, aconteceu, eu nunca que imaginava.</font></p>
<p class="MsoNormal"><font face="Times New Roman" size="3">Cinco horas e meia de &ocirc;nibus, e uma coxinha com sukita na parada. A casinha era simples que me dava pena, mas o pessoal devia &eacute; ter pena de mim com aquele rosto amarelado de luz de escrit&oacute;rio. Uma fila que andava lenta entrava numa das portas, passava ao lado do finado, fungava o cheiro forte de cravo e l&iacute;rio e sa&iacute;a meio que chorando, meio agradecendo o descanso merecido.</font></p>
<p class="MsoNormal"><font face="Times New Roman" size="3">Dentro do caix&atilde;o ele parecia o de sempre, cheio de sa&uacute;de, de pele grossa intranspon&iacute;vel. Segui pela fila atr&aacute;s das velhinhas curvadas que pareciam passar dos 150 anos, o cora&ccedil;&atilde;o apertado, fui cumprimentar os parentes, cheguei at&eacute; o Chico que chorava contido do mesmo jeito que ria com os tr&ecirc;s dentes.</font></p>
<p class="MsoNormal"><font face="Times New Roman" size="3">- V&ocirc; Abelardo que era o mais forte da fam&iacute;lia, n&atilde;o tinha nem osso ruim de velho ainda, mas n&atilde;o inventaram ch&aacute; pra desviar a vontade do que cria. Dormiu na rede com a dentadura, sorrindo, n&atilde;o acordou.</font></p>
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		<title>A parte mais difícil é dar o título</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Mar 2006 19:28:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mark_vogue</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;Ele acendeu um cigarro e se jogou na poltrona de corvim. Eu sempre achei que esse ritual cumprido religiosamente quando ia l&#225; em casa lhe dava um ar de seriedade. Ele tragava, e me encarava, com muita sinceridade no olhar em meio &#224;quela fuma&#231;a toda.
- N&#227;o gosto do que tu escreve, &#233; ruim.
Na verdade eu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><font face="Times New Roman"><font size="3">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ele acendeu um cigarro e se jogou na poltrona de corvim. Eu sempre achei que esse ritual cumprido religiosamente quando ia l&aacute; em casa lhe dava um ar de seriedade. Ele tragava, e me encarava, com muita sinceridade no olhar em meio &agrave;quela fuma&ccedil;a toda.</font></font></p>
<p class="MsoNormal"><font face="Times New Roman" size="3">- N&atilde;o gosto do que tu escreve, &eacute; ruim.</font></p>
<p class="MsoNormal"><font face="Times New Roman" size="3">Na verdade eu mesmo nunca gostei do que escrevo, mas expliquei pra ele que minha m&atilde;e achava formid&aacute;vel, ela mostrava para as amigas no trabalho, os amontoados de linhas do filho boca-suja. Mesmo que ela s&oacute; goste desses livrinhos de romance &aacute;gua-com-a&ccedil;&uacute;car brochura pra passar o tempo.</font></p>
<p class="MsoNormal"><font face="Times New Roman" size="3">- &Eacute; verdade, teus contos s&atilde;o uma bosta, fraco e sem nexo.</font></p>
<p class="MsoNormal"><font face="Times New Roman" size="3">Desde que comecei a escrever eu escrevo contos, mas sempre me auto-intitulei cronista, sempre quis ser cronista, meus amigos achavam que eu era cronista, mas acontece que s&oacute; escrevo contos, e fracos. &Eacute; um tanto desanimador escrever cr&ocirc;nicas pra ficar lendo sozinho no quarto. Talvez se eu publicasse essas porcarias num jornal de ocorridos sanguinolento do interior eu me desse mais o respeito, ou ele me respeitasse mais.</font></p>
<p class="MsoNormal"><font face="Times New Roman" size="3">- O Vin&iacute;cius ia rir da tua cara!</font></p>
<p class="MsoNormal"><font face="Times New Roman" size="3">Na verdade eu n&atilde;o ligaria se o Vin&iacute;cius me achasse med&iacute;ocre, porque com certeza ele viria rindo com uma garrafa de whisky na m&atilde;o e cairia antes de me falar qualquer coisa. </font></p>
<p class="MsoNormal"><font face="Times New Roman" size="3">Ele continuava baforando a fuma&ccedil;a na minha cara e me contando como a irm&atilde; dele de sete anos faz reda&ccedil;&otilde;es na escola melhores que aquilo. Eu levantei e coloquei a &aacute;gua no fogo para fazer um caf&eacute;, antes de a &aacute;gua come&ccedil;ar a ferver ele sugou uns dois cent&iacute;metros do bast&atilde;ozinho de fumo incandescente, amassou no cinzeiro, ainda me encarando com aquela seriedade e sinceridade que d&atilde;o um certo medo.</font></p>
<p class="MsoNormal"><font face="Times New Roman" size="3">- Falou cara, tenho que buscar minha irm&atilde;.</font></p>
<p class="MsoNormal"><font face="Times New Roman" size="3">- At&eacute;.</font></p>
<p class="MsoNormal"><font face="Times New Roman" size="3">Ele foi embora, eu fiquei, enchi o copo de caf&eacute;, adocei muito, horr&iacute;vel, muito fraco e melado. Peguei umas cr&ocirc;nicas do velho Braga pra estudar, meus amigos ainda acham que eu sou cronista.</font></p>
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